<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168325236799444146</id><updated>2012-02-17T21:47:49.202-02:00</updated><title type='text'>Literatura de mochila</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://literaturademochila.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168325236799444146/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturademochila.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Isabel Malzoni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15263551706489734962</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>18</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168325236799444146.post-2309243727874837213</id><published>2009-07-06T11:56:00.001-03:00</published><updated>2009-07-06T11:58:44.371-03:00</updated><title type='text'>Romanceiro da Inconfidência segundo minha avó</title><content type='html'>Para a ocasião do meu vigésimo aniversário, fiz convite formal para minha avó e fui buscá-la na casa de repouso, na qual ela vivia há cinco anos, para o almoço de sábado. A nossa predileção escancarada uma pela outra em nada mudara desde a chegada dos seus primeiros sintomas do Alzheimer, que acirraram sua personalidade forte e referendaram a decisão há muito tempo tomada, por meu pais e meus tios, de colocá-la em um asilo. Ela só não se esquecia nunca de mim, o que agravou mágoas e ciúmes familiares, assim como eu continuava admirando-a com a mesma dedicação de quando criança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vovó já estava me esperando. Pontualidade era um de seus jeitos de demonstrar atenção, assim como pôr-se elegante. Para o almoço de sábado, ela vestia um tailleur azul claro, brincos de pérola e tinha sua Chanel a tiracolo. Eu, por conhecê-la bem, estava até de meia-calça e sapatos de verniz. Fazia parte da minha cumplicidade encenar essa sofisticação porque sabia que duas coisas tinham feito minha avó feliz – e minha infância divertida: mergulhar na literatura e sentir-se uma diva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante o caminho para o almoço, vovó contou-me suas impressões sobre o novo livro de Chico Buarque e repetiu as suas certezas sobre a derrocada da sociedade por causa dos que não lêem como se tivesse voltado aos seus tempos de ousada senhorita da alta sociedade. Depois, para a sorte de minha nostalgia, parou de discursar e, mais calma, recitou a Inês de Castro de Camões. Por causa dela, minhas fantasias de criança assumiram sempre maiores proporções: as da literatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, ao chegarmos ao nosso destino, o brilho sumiu do rosto de vovó. Ela precisou de minha ajuda para sair do carro e ficou rígida olhando para a porta da frente. Apertou minha mão, confusa e assustada. Parecia uma velhinha abalada pelo Alzheimer, pensei comigo mesma e com enorme tristeza. Chamei-a pelo nome, com o coração acelerado, perguntei se ela queria se sentar de volta no carro. Ela só apertou minha mão mais forte e continuou em silêncio. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não posso mover meus passos por esse atroz labirinto", disse. Sua voz estava tão trêmula que demorei a entender. Até que o desabafo dela completou-se em minha mente: “De esquecimento e cegueira em que amores e ódios vão”. Ela havia recorrido a Cecília Meirelles para falar de seu medo de rever a família que ela considerava lhe ter tolhido a liberdade.. Eu bem sabia que os obstáculos de seu labirinto eram minha mãe, a nora que a achava excêntrica demais, o tio Altenor, médico catedrático que não disfarçava seu desconcertamento diante dos acessos poéticos da mãe, seus outros netos, para ela fúteis e desrespeitosos. &lt;br /&gt;Fiquei sem reação diante da fragilidade de minha avó. Até que saiu pela minha boca: “Acho que sábado é a rosa da semana". E ri. Depois de uma fração de segundos, ela virou-se para mim, já recompondo um pouco a postura e abrindo um sorriso ainda frágil. “Uuu, chegamos à Clarice Lispector? Essa conversa está ficando boa”. Pegou no meu braço e dirigiu-se à porta, ficando mais forte a cada passo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168325236799444146-2309243727874837213?l=literaturademochila.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturademochila.blogspot.com/feeds/2309243727874837213/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168325236799444146&amp;postID=2309243727874837213' title='28 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168325236799444146/posts/default/2309243727874837213'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168325236799444146/posts/default/2309243727874837213'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturademochila.blogspot.com/2009/07/romanceiro-da-inconfidencia-segundo.html' title='Romanceiro da Inconfidência segundo minha avó'/><author><name>Isabel Malzoni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15263551706489734962</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>28</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168325236799444146.post-5709411262049864032</id><published>2009-06-28T20:02:00.005-03:00</published><updated>2009-06-28T22:10:06.552-03:00</updated><title type='text'>Eu lhe dou minhas palavras</title><content type='html'>Eu me considero uma pessoa de palavras. Foi sempre assim, não sei desde quando, desde que me lembro. Não sei. As aulas da escola de que mais me lembro são as das palavras. Interpretação de texto, gramática, literatura. Na época, não entendia porque essas aulas se misturavam as outras, como se fossem matérias de escola. Eram outra coisa pra mim, um aprendizado de como ler a vida - a minha, que estava só começando, mas que eu insistia em lhe atribuir sentimentos antigos. Aula de viver mais, na verdade, por meio das imagens que nunca sentiria se alguém não as tivesse escrito. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que apaixonei-me pelas palavras com um livrinho de poesia que me fora presenteado pela minha avó. Não me lembro quem era a autora, só que era mulher, e que falava sobre dor, sobre morte, sobre amor. Falava não, porque ninguém fala desses assuntos essenciais – escreve. Talvez o amor tenha começado antes, quando eu mal sabia a ler, por causa de Luzia – que tem o mesmo nome de minha avó, mas que era um senhora muito gorda e religiosa que trabalhava na casa de meus pais. Ao me ver resmungando dorzinhas do pé recém-operado, Luzia, que era mulher da palavra de Deus, me sussurrou o que hoje sei ser um chavão, mas que soou-me como uma revelação única: Cuidado com as palavras. Elas têm poder. Não é que ela me ouvira? Luzia lia para mim trechos da bíblia. Historinhas tão belas que eu confundira seu fervor pelo seu senhor com amor pela literatura.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não fui sempre devoradora – e devorada – pelos livros. Houve uma fase da minha vida em que insistia em ler só os livros que fossem instrutivos. Sim, aqueles que lhe ensinam a fazer algo, levam a entender alguma coisa. E tinha tanta coisa que eu não entendia, que exigia explicações. Mais do que isso: eu precisava aprender a ser útil, porque assim resolveria todo aquele caos com os pés nas costas. É claro que ainda não entendo quase nada. Apenas que não havia nada para ser resolvido. O caos que me assombrava era só a vida. Eu precisava vivê-la, simples assim. Foi quando passei a me render sem culpa aos romances, gigantescos que fossem. Porque, muitos hão de concordar, há muita vida dentro dos romances, assim como dos contos e das poesias.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então eu escolhi das palavras como meio de expressão, como trabalho, como paixão. Mas sempre as palavras escritas. Porque com as palavras ditas e ouvidas, em alto e bom som, nunca me dei bem. Na minha casa falava-se pouco e baixo, acho que é isso. Aprendi que é preciso tomar cuidado com o que se diz. E como eu sou capaz de dizer besteiras! Uma pessoa que amo muito me disse recentemente que tudo bem, que não hei de dizer besteiras para sempre. Então quem sabe um dia me reconcilio com o que tenho para dizer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas também tem o fato que palavras machucam – e como. Portanto, se as palavras são escritas, pode-se simplesmente não lê-las. Muita gente nem chegou a esse parágrafo para que eu pudesse confortá-las com minhas palavras digitadas: Tudo bem, não me ofendo se o que escrevo não lhe interessa. Mas quando as verdades, ou mesmo as mentiras duras, são ditas...  Não há como a palavra Adeus saindo da boca de alguém amado não ficar cravada na cabeça, ressoando. Ou ainda Você me magoou muito. Eu, se cabe dizer, há dias fico repetindo a música “Nossa canção”, da Vanessa da Mata, no rádio, bem alto, para disfarçar as palavras que não me saem do ouvido. Do coração, mais precisamente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque há uns dias dei de cara com a escuridão das palavras, para mim até então tão mágicas. Com a escuridão das minhas palavras escritas. Porque talvez não pela primeira vez, mas com certeza pela pior delas, escrevi mentiras. Não estou falando de alguma peça de ficção mal escrita ou uma reportagem sensacionalista. Eu escrevi dois pares de frases com sentimentos atribuídos a mim, assim como um repórter que cria aspas que poderiam perfeitamente ser ditas por um entrevistado, só pra ficar o texto mais bonito. Feio assim, mas pior ainda. Com esses dois pares de frases, eu perdi o direito à minha palavra. Quebrei ela, assim como o coração de uma pessoa que amo imensamente. A questão é: por que as escrevi? Para começar, alguém poderia dizer, por conta de um estupidez gigantesca. Bom, com certeza. Mas também, agora eu sei, como um subterfúgio, daqueles de escritor ruim. Eu usei as minhas palavras como uma rota de fuga, como um calmante para os meus medos, como uma casca. Não vou dizer que não achei que realmente as sentia, na hora que escrevi. Mas foi só o arrependimento que veio em seguida que me mostrou o que aquilo de fato significava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A questão é que isso são desculpas. E não é para isso que servem as palavras servem, nem para serem rota de fuga, nem desculpas. Então só posso terminar esse texto dizendo que eu sinto muito. Que eu errei feio. Que eu aprendi e queria muito me retratar. Se disser que minhas palavras não valem nada, por favor, me dê um crédito. São as minhas mais sinceras palavras. Expostas assim, como você achou que eu nunca conseguiria expor. Se ainda assim não valerem, ainda tenho outras palavras para você, prontas para serem ditas em voz alta. E de coração.   &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;                 Para você, quem sabe bem que é. E que eu amo demais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168325236799444146-5709411262049864032?l=literaturademochila.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturademochila.blogspot.com/feeds/5709411262049864032/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168325236799444146&amp;postID=5709411262049864032' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168325236799444146/posts/default/5709411262049864032'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168325236799444146/posts/default/5709411262049864032'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturademochila.blogspot.com/2009/06/eu-lhe-dou-minhas-palavras.html' title='Eu lhe dou minhas palavras'/><author><name>Isabel Malzoni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15263551706489734962</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168325236799444146.post-1705917842482304105</id><published>2008-11-13T15:58:00.000-02:00</published><updated>2008-11-13T15:59:11.563-02:00</updated><title type='text'>Neuroses sao supervalorizadas</title><content type='html'>Não é um conto, nem uma matéria. Mas se pensar bem...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168325236799444146-1705917842482304105?l=literaturademochila.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturademochila.blogspot.com/feeds/1705917842482304105/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168325236799444146&amp;postID=1705917842482304105' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168325236799444146/posts/default/1705917842482304105'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168325236799444146/posts/default/1705917842482304105'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturademochila.blogspot.com/2008/11/neuroses-sao-supervalorizadas.html' title='Neuroses sao supervalorizadas'/><author><name>Isabel Malzoni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15263551706489734962</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168325236799444146.post-4804408779573003994</id><published>2007-12-16T17:47:00.000-02:00</published><updated>2007-12-16T17:58:52.680-02:00</updated><title type='text'>Terra de Noel</title><content type='html'>&lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/revista/images/rf1612200705.jpg"&gt;&lt;img style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://www1.folha.uol.com.br/revista/images/rf1612200705.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;(TEXTO E FOTO PUBLICADOS NA REVISTA DA FOLHA DE 16 DE DEZEMBRO DE 2007 - &lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/revista/rf1612200709.htm"&gt;http://www1.folha.uol.com.br/revista/rf1612200709.htm&lt;/a&gt;)&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;em&gt;Na capital da lapônia, onde vive o ícone natalino, safáris de huskies são o hype do inverno&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;strong&gt;texto e foto por Isabel Malzoni&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;Para quem nunca esteve nem nas beiradas de algum Círculo Polar, é difícil imaginar o cenário de um safári de huskies. Talvez recorrendo a filmes que se passam no pólo Norte, como os infantis sobre Papai Noel, tenha-se uma idéia do que é estar dentro de uma floresta congelada, termômetro marcando uma ou duas dezenas de graus abaixo de zero, rios cobertos de gelo e com a possibilidade de ver a aurora boreal. Mas é só uma idéia, já que o barulho suave do trenó deslizando na neve, o contato com os cachorros, amigáveis e ávidos por passear, e a sensação gelada da neve batendo no rosto são o que fazem a experiência tão intensa. E isso só se consegue ao vivo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;Ao chegar numa fazenda de huskies, os cães já estão esperando os convidados. Eles saem de suas casinhas de madeira espalhadas pela neve para correr em círculos, presos por correntes, e pedir carinho. Até uivam para que sejam levados juntos no passeio. O guia, que conhece cada cachorro pelo nome, explica que, embora puxar um trenó na neve pareça um trabalho árduo, eles adoram fazê-lo. Estão tão acostumados que não é possível aposentar um husky sem deixá-lo deprimido ou doente. "Quando você impede um cão de fazer seu trabalho, ele morre em até dois meses", jura o tratador dos cães, que se apresenta como Husky Dundee.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;Depois de uma breve apresentação do lugar, Dundee explica o mais importante: como guiar o trenó. Manter o pé no freio é o melhor conselho, principalmente no começo do passeio, já que os huskies podem exagerar na animação. Se o esforço físico e a responsabilidade de não atolar o trenó parecerem demais, existe também a possibilidade de fazer o passeio sentado confortavelmente em peles de rena na frente do veículo e tirar fotos incríveis.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;O importante é que, quando o trenó vai deixando a fazenda, entra-se numa floresta congelada, onde todo o horizonte é branco. Em vez de folhas, há essas pequenas esculturas de gelo que a neve deixa nas árvores. Escuta-se apenas o trenó deslizando e o latido das huskies fêmeas, que vão na frente liderando o caminho para os machos, que fazem a maior parte da força atrás. A paz na floresta é incrível. A neve e o vento fazem com que você quase não sinta mais o rosto, mas o esforço para guiar o trenó e a excitação do momento tornam o frio uma sensação secundária.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;Na metade do caminho, acontece uma providencial parada para café ou almoço, dependendo da duração do safári, com direito a fogueira e a café preparado de maneira típica em uma chaleira de ferro. É o momento em que o guia responde a perguntas ou fala sobre a cultura do Norte do país, a importância dos cachorros e até conta suas aventuras no gelo. Ótima oportunidade para tirar proveito da simpatia dos finlandeses e saber mais sobre como é viver em condições tão extremas de temperatura e luz. Dundee, por exemplo, conta que o momento mais difícil dos seus 15 anos de profissão foi um safári de 20 dias que fez em pleno inverno, quando não há luz solar em nenhum momento. Diz que só voltou vivo por causa dos cachorros, já que tamanho cansaço e frio quase o fizeram desistir. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;Renas e Papai Noel&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;No norte da Finlândia, os safáris de huskies são uma das atividades de inverno mais procuradas. Principalmente em Rovaniemi, capital da região da Lapônia, que fica a 800 km da capital Helsinque. É dessa pequena cidade, localizada dentro do Círculo Polar Ártico, que sai a maior parte dos passeios. Por mais que outono e inverno nessa região possam parecer hostis, é justamente quando a neve aparece que Rovaniemi ganha vida. Poucos -mas corajosos turistas- movimentam suas duas ruas de compras, equilibrando-se no gelo escorregadio, em busca de roupas de frio. Os três principais hotéis lotam, as quatro agências de atividades de inverno abrem as portas para oferecer excursões de todos os tipos e para todos os públicos. É possível conseguir uma carona em trenó de renas, andar de "snowmobile" (moto de neve) e até visitar o Papai Noel -sim, a casa do símbolo natalino fica a apenas 7 km de Rovaniemi-, além dos safáris de huskies, que são o que a maioria busca.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;Para agendar um safári, basta aparecer um dia antes em alguma das agências. Existem passeios de duas, quatro ou seis horas, sendo que as duas últimas opções só costumam acontecer no inverno propriamente dito por questões de segurança -apesar de ser mais frio, você realmente quer que o gelo esteja firme ao passar por cima de um rio, certo? Os preços variam entre 150 e 260 euros, dependendo da duração. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;No dia seguinte, uma van se encarrega de buscar os turistas no hotel e levar para a fazenda onde o passeio acontece, a 35 km da cidade. O tour também inclui roupas de frio apropriadas, como macacões à prova de vento, água, botas, luvas e gorro. Parece um detalhe agora, mas, assim que se sai da cidade, ao entrar na floresta, onde o vento e a neve tomam conta da paisagem com mais intensidade, é só nisso que se pensa.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;Embora os safáris garantam a emoção de uma viagem a Rovaniemi, ainda há muito o que fazer na cidade. Quem quer saber um pouco mais sobre a cultura da região deve visitar o museu Artikum, que mostra de forma interativa a geografia, a história e a cultura do pólo Norte. No entanto, o programa predileto dos turistas depois dos safáris é recuperar as energias gastas no passeio em um dos restaurantes típicos. Entre as especialidades estão carne de urso, de javali e de rena. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;As renas, aliás, são muito importantes na Finlândia. Sua carne é vendida como iguaria -pelo sabor e pelo preço- e a pele é bastante utilizada em roupas, sapatos e tapetes. Sem contar que são o meio de transporte oficial de Papai Noel, lenda que rendeu fama à Lapônia. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;Como a história do bom-velhinho se passa nessa parte do pólo Norte, Rovaniemi costumava receber muitos turistas perguntando pelo Papai Noel, ainda que de brincadeira. A cidade percebeu a oportunidade e, em 1985, criou um suposto escritório do Papai Noel. Não há muito o que ver ali além da decoração de Natal, lojas de suvenires e do próprio Noel, que cobra 23 euros por uma foto. A não ser que você esteja com crianças, o que pode valer a visita é o posto do correio, que envia cartões-postais com o selo e o carimbo do escritório de Papai Noel.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;Amanhece tarde e anoitece cedo na região. No outono (setembro a novembro), há apenas cinco horas de sol por dia, número que cai para três no inverno (dezembro a fevereiro). Assim como a temperatura, essa característica da região não representa um ponto contra. Muito pelo contrário. Rovaniemi é um ótimo lugar para observar a aurora boreal, aquele fenômeno óptico que resulta em luzes amarelas e verdes no céu. E tanto tempo sem luz solar só aumenta as chances de que ela aconteça. Segundo cientistas, o que causa esses brilhos é o impacto de partículas de vento solar no campo magnético terrestre. Mas a tradição finlandesa tem uma explicação mais bonita: acreditava-se antigamente que a aurora boreal era o rastro do rabo de raposas de fogo que viveriam por ali.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="left"&gt;As primeiras aparições do fenômeno acontecem no outono, embora seja mais fácil presenciá-lo no inverno. Como não é possível prever quando as luzes do norte vão aparecer, procure um local afastado da cidade quando a noite estiver fria e o céu limpo. Algumas agências de turismo oferecem passeios noturnos de "snowmobile" no rio que corta a cidade, o que pode resultar em um bom jeito de topar com o fenômeno. Parece ou não coisa de filme?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;PARA QUEM Apaixonados por neve e esportes de inverno&lt;br /&gt;TEMPERATURA MÉDIA -20ºC (dezembro e janeiro)&lt;br /&gt;DICAVocê pode reservar um safári com huskies de duas horas ao chegar à cidade. Mas, se a idéia for algo mais longo e radical, contate o guia ou o dono da fazenda&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://www1.folha.uol.com.br/revista/rf1612200709.htm"&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168325236799444146-4804408779573003994?l=literaturademochila.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturademochila.blogspot.com/feeds/4804408779573003994/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168325236799444146&amp;postID=4804408779573003994' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168325236799444146/posts/default/4804408779573003994'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168325236799444146/posts/default/4804408779573003994'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturademochila.blogspot.com/2007/12/terra-de-noel.html' title='Terra de Noel'/><author><name>Isabel Malzoni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15263551706489734962</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168325236799444146.post-3778577487574254090</id><published>2007-11-16T13:10:00.000-02:00</published><updated>2007-12-26T21:47:41.522-02:00</updated><title type='text'>Conversa de Trem</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_fan4q2F9Iak/R3LoEbJQTCI/AAAAAAAAABY/mZTAIv68aeQ/s1600-h/Paisagem.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer;" src="http://2.bp.blogspot.com/_fan4q2F9Iak/R3LoEbJQTCI/AAAAAAAAABY/mZTAIv68aeQ/s400/Paisagem.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5148432486741593122" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Havia uma pequena sala para fumantes no trem de Helsinki a Rovaniemi. Ficava perto do vagão-restaurante, protegida por uma porta de vidro, e não tinha ventilação. Péssimo por causa do cheiro e da fumaça, mas melhor assim devido ao frio avassalador que já se apresentava no outono finlandês. Deixei meus casacos na cabine onde passaria a noite para que não ficassem impregnados com o cheiro e fui fumar um último cigarro antes de tentar dormir. Na salinha havia apenas um rapaz falando ao telefone, apagando um cigarro, mas logo acendendo outro.&lt;br /&gt; Sentei-me perto da janela para tentar decifrar algo da paisagem em meio `aquela escuridão. Pelo pouco que havia conseguido ver antes do pôr-do-sol, a Finlândia fora de Helsinki era uma grande floresta congelada, com poucas casinhas igualmente brancas e pequenas espalhadas dentre muitos quilômetros. Um cenário tão quieto e reflexivo quanto o estereótipo dos finlandeses. De repente, um senhor de seus 50 anos, rosto vermelho queimado pelo frio ou pela bebida, abriu a porta de vidro e, um pouco risonho, fez perguntas em alguma das línguas faladas por ali, finlandês ou sueco. Olhei para ele. O rapaz, ainda ao telefone, acenou com a cabeça. O senhor foi embora e fiquei sem saber do que se travava. Teria um finlandês feito uma piadinha comigo?&lt;br /&gt; Quando o rapaz desligou o celular e acendeu um segundo cigarro, perguntei:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você fala inglês? Ele acenou que sim.&lt;br /&gt;- O que aquele senhor disse?&lt;br /&gt;Como que adivinhando meus pensamentos, ele me disse para não me preocupar porque finlandeses não fazem piadinhas como os yankees.&lt;br /&gt;- Yankees?, questionei.&lt;br /&gt;- Sim, você é americana, não é?&lt;br /&gt;- Não... Pareço? Sou finlandesa.&lt;br /&gt;- (Risos) Você parece americana.&lt;br /&gt;- Sou brasileira.&lt;br /&gt;- Ah, não parece brasileira. E nem finlandesa, porque somos brancos. Mas brasileira? ele perguntou novamente com direito a muitos sinais de interrogação. O que veio fazer aqui na Finlândia?, continuou ele, ecoando essa pergunta que ouvi tantas vezes durante minha estada no país. Aparentemente, os finlandeses não entendem porque alguém que vive no Brasil - que provavelmente para eles é sinônimo de diversão total, tanto que me contaram ser o destino dos sonhos pós-aposentadoria - pode querer ir para a um lugar como a Finlândia, regida pelo clima rigoroso. Um país onde o verão impõe dias inteiros de sol e no inverno, total escuridão. Onde os índices de alcoolismo são imensos por conta disso, e o de divórcios também (não sei se necessariamente pela mesma razão, mas talvez sim). Fiquei com vontade de dizer que o frio, o mistério e a introspecção da Finlândia, que já tinha percebido em filmes e livros, me atraiam muito e faziam sentido para minha alma. Só não sabia porquê e estava ali para descobrir. Não disse.&lt;br /&gt;- Estou viajando. Vim para cá porque é um belo país, respondi.&lt;br /&gt;- É... Acho que é bonito mesmo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O silêncio foi restabelecido na salinha esfumaçada. O trem parou em uma pequena estação e, devido a algumas lâmpadas amareladas, pude ver que a neve estava ainda mais alta e fofa. Provavelmente afundaria até o joelho se pisasse ali. Havia apenas duas casas visíveis perto da estação. Uma pessoa desceu. Senti frio por ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-    Esse é o meu lugar predileto no trem, afirmou de repente o rapaz.&lt;br /&gt;-    Verdade? Mesmo como toda essa fumaça?, estranhei.&lt;br /&gt;-    É porque eu fumo muito.&lt;br /&gt;A afirmação me pareceu ainda mais estranha. O rapaz não poderia ter mais que 18 anos, se muito. Rosto imberbe, a cabelo ligeiramente comprido e tingido de preto (embora mostrando a raiz quase branca de tão loira), corpo comprido e braços ainda mais, típico de um adolescente. Como poderia já fumar tanto assim?&lt;br /&gt;- Fumo há 12 anos, ele continuou como que percebendo meu espanto sem mesmo olhar para mim. Acrescentou que começou a fumar aos 8 anos e hoje tem 20. Mas que ainda assim havia jogado hockey no gelo desde pequenininho até ano passado e sua saúde não havia sido afetada. Mesmo no ano que serviu o exército, corria os 3 quilômetros diários que lhe eram impostos sem pestanejar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele parecia achar que estava falando com alguém mais velho do que ele, embora tivéssemos apenas 4 anos de diferença. E que contando sobre suas atividades esportivas poderia evitar o sermão anti-tabaco que já devia ter ouvido milhares de vezes. Fiquei mesmo com vontade de falar que ele ainda podia correr e jogar porque era jovem, mas que isso mudaria muito com os anos se continuasse fumando. Não disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-    Quer dizer então que você joga hockey?&lt;br /&gt;-    Jogava...&lt;br /&gt;-    ...&lt;br /&gt;-    Jogava desde pequeno, mas ficou muito caro. Estava custando quase 3 mil euros por ano para treinar. E sabe como é, mãe divorciada, outros dois irmãos que também queriam jogar, um pai alcoólatra... De onde tirar o dinheiro? Tive que parar.&lt;br /&gt;-    Que pena...&lt;br /&gt;-    Aliás, foi por causa disso que comecei a fumar. Na verdade, por causa do meu pai. Ele bebia tanto que não conseguia enrolar seus próprios cigarros. Então pagava 50 centavos por cada 10 cigarros que eu e meus irmãos enrolássemos. Eu tinha cinco anos. Aos oito, peguei um dos cigarros e saí da casa para experimentar. Meu pai viu. Então me deu um pacote com 10 cigarros e disse que se eu conseguisse fumar todos eles, poderia fumar quando quisesse. Eu consegui. Fumo desde então.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tinha nada a que dizer para o rapaz a não ser talvez um óbvio alerta para os perigos que isso representava `a saúde dele. Fiquei quieta por mais alguns segundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-    E você bebe?&lt;br /&gt;-    Não. Bebia, mas minha namorada pediu que eu parasse.&lt;br /&gt;-    Era com ela que você estava ao telefone, não é?&lt;br /&gt;-    Sim (sorriso)&lt;br /&gt;-    Ela deve ser uma boa namorada.&lt;br /&gt;-    Sim, é. Vou visitá-la daqui uma semana. Ela vive no norte. E na cidade onde ela mora vive também meu melhor amigo. Ele tem 30 anos, mas é meu melhor amigo. Toca guitarra muito bem. Queria tocar tão bem quanto ele. Depois que parei de jogar hockey, comecei a fazer música. Meu pai falou que pareço o Kurt Cobain, sabia? Ele viu um pôster no meu quarto e perguntou se era eu. Talvez se eu ainda fosse loiro...&lt;br /&gt;-    Aliás, porque você pintou o cabelo?, perguntei olhando pelo espelho o cabelo negro tingido do rapaz, e depois o meu, quase preto.&lt;br /&gt;-    Eu gosto de preto, respondeu ele mostrando a camiseta que vestia embaixo do casaco, preta e com um lobo estampado.&lt;br /&gt;-    Mas você gosta do Kurt Cobain? Não é exatamente um bom modelo, né? (risos)&lt;br /&gt;-    Na verdade, é o meu modelo.&lt;br /&gt;-    ...&lt;br /&gt;-    ...de músico. Não se preocupe, não vou colocar uma bala na minha cabeça.&lt;br /&gt;-    É, você não deveria fazer isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sensação desconfortável que a conversa havia deixado em mim, um misto de pena, empatia e gratidão pela confiança, foi interrompida por uma mensagem provavelmente em finlandês no alto-falante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-    Vamos chegar em minutos na estação em que tenho de descer.&lt;br /&gt;-    É, e eu tenho que voltar para minha cabine antes que meu irmão venha me procurar.&lt;br /&gt;-    Boa sorte em sua viagem pela Finlândia.&lt;br /&gt;-    Boa sorte com a sua música.&lt;br /&gt;-    Meu nome é Mikka, mas você pode me chamar de Michael se não conseguir pronunciar, disse ele me estendendo a mão.&lt;br /&gt;-    Tchau, Mikka, respondi, retribuindo o cumprimento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168325236799444146-3778577487574254090?l=literaturademochila.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturademochila.blogspot.com/feeds/3778577487574254090/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168325236799444146&amp;postID=3778577487574254090' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168325236799444146/posts/default/3778577487574254090'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168325236799444146/posts/default/3778577487574254090'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturademochila.blogspot.com/2007/11/conversa-de-trem.html' title='Conversa de Trem'/><author><name>Isabel Malzoni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15263551706489734962</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_fan4q2F9Iak/R3LoEbJQTCI/AAAAAAAAABY/mZTAIv68aeQ/s72-c/Paisagem.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168325236799444146.post-342297172655620500</id><published>2007-10-29T14:58:00.000-02:00</published><updated>2007-12-03T22:03:26.311-02:00</updated><title type='text'>Reinventei a continuação de “Antes do Amanhecer”</title><content type='html'>Era início do outono de 2007 no hemisfério norte quando desembarquei em Frankfurt. Mochila de 16 quilos nas costas e milhares de sinalizações à minha frente, mas todas elas com uma quantidade de consoantes impossível. Tinha fome, sono e desejo de tomar uma ducha quente. Havia passado as últimas 11 horas agarrando-me a uma minúscula poltrona de avião, rezando para que esse não caísse. Mais do que isso: ansiava chegar ali há tempo e o sentimento parecia potencializar todas as vontades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não fiz nada quanto a elas. Ao invés disso, tomei a direção das placas que mostravam um trem. Era começo de tarde. Tinha pela frente ainda mais três trechos ferroviários antes de chegar ao meu destino, fiquei sabendo depois. E cada vez que mudava de veículo, os próximos eram menores e mais simples. As paisagens também seguiam essa lógica. Cada vez menos intervenções humanas pelo caminho, menos pessoas esperando nas estações, mas, em compensação, horizontes mais limpos e amplos. Lutei contra o sono para não desgrudar os olhos da janela nem por um minuto. Não apenas pela ânsia de conhecer todos aqueles lugares, mas também na esperança de que a luz  do sol, cada vez mais fraca, me mostrasse quando estivesse chegando lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sol estava quase se pondo quando cheguei. Havia chovido, fazia frio e eu ainda teria de procurar o hotel reservado. Foram esses meus pensamentos ao colocar a mochila de volta às costas. Devia ter avisado a hora em que chegaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi quando, ao pisar naquela estação minúscula e desconhecida, avistei aqueles olhos tão conhecidos e desejados, sorrindo mais do que a boca em si e olhando diretamente para os meus. Aproximei-me rapidamente, mas sem correr. Ele, que tinha o rosto e as mãos gelados pelas três horas de espera, o cabelo despenteado e cheirava aos cigarros que fumou impaciente, também. E nos beijamos como se nunca tivéssemos partido. Ou como quem nunca quis ter ficado longe. E é assim que todo encontro em estação de trem deve ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Para Filé&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;Outubro de 2007  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;"&gt;    Isabel&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168325236799444146-342297172655620500?l=literaturademochila.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturademochila.blogspot.com/feeds/342297172655620500/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168325236799444146&amp;postID=342297172655620500' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168325236799444146/posts/default/342297172655620500'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168325236799444146/posts/default/342297172655620500'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturademochila.blogspot.com/2007/10/reinventei-continuao-de-antes-do.html' title='Reinventei a continuação de “Antes do Amanhecer”'/><author><name>Isabel Malzoni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15263551706489734962</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168325236799444146.post-419418060318253525</id><published>2007-09-19T18:33:00.000-03:00</published><updated>2007-09-20T21:07:36.503-03:00</updated><title type='text'>Uma pausa de mil compassos...</title><content type='html'>"Quem sabe de tudo, não fale. Quem não sabe nada, se cale. Hoje eu quero apenas uma pausa de mil compassos...". Ouvi essa música, cantada pela Marisa Monte, pela primeira vez aos meus 12 anos. Fase de mudanças hormonais, familiares, identitárias e algumas outras. Mais especificamente, num sábado daqueles que a gente acorda com frio na barriga. Meu pai colocou essa música no carro e falou: "É mais ou menos essa a sensação, não é?" Era. Queria uma pausa do mundo que teimava em mudar assustadoramente.&lt;br /&gt;Pois tenho lembrado dessa música ultimamente. Sei que deixei de postar no último mês e, pior ainda, no meio de uma novela. Mas acontece que estou em fase de mudança. Na verdade, de botar tudo na mala, falar tchau e ir viajar por um tempão. Entendeu porque não tem sobrado tempo nem inspiração para postar?&lt;br /&gt;A boa notícia é que logo logo acabam os mil compassos e terei muito mais o que postar, lá das terras estrangeiras. Essa mochila aqui (é mochila, não mala), que pretende fazer literatura, em breve estará nas costas, lugar a que pertence, e terá bem mais o que dizer.&lt;br /&gt;Até daqui a pouco então.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168325236799444146-419418060318253525?l=literaturademochila.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturademochila.blogspot.com/feeds/419418060318253525/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168325236799444146&amp;postID=419418060318253525' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168325236799444146/posts/default/419418060318253525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168325236799444146/posts/default/419418060318253525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturademochila.blogspot.com/2007/09/uma-pausa-de-mil-compassos.html' title='Uma pausa de mil compassos...'/><author><name>Isabel Malzoni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15263551706489734962</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168325236799444146.post-4579238290493319694</id><published>2007-08-21T01:41:00.000-03:00</published><updated>2007-08-21T01:43:46.358-03:00</updated><title type='text'>A história de Jorge - parte II</title><content type='html'>Claro que nunca mais é um prazo muito longo para quem tem quinze anos. Jorge realmente não quis saber de namorar durante um bom tempo até, quatro anos depois conhecer Sônia, sua colega de universidade. Enquanto ele estava no primeiro ano de Ciência da Computação, ela cursava o terceiro de Psicologia. Viram-se ela primeira vez na lanchonete da universidade. Ela, alta, corpo violão, cabelos ondulados com mechas vermelhas, muitos anéis nos dedos, nenhum sutiã. Ele, agora já sustentando uma barba falha, vestindo camisa branca, calça jeans, tênis de corrida e muitos livros embaixo do braço. Ela pensou que havia algo muito interessante por trás daqueles óculos e da pose séria de Jorge. Ele achou-a simplesmente linda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A paixão que surgiu imediatamente entre os dois foi arrebatadora. Viam-se todos os dias na universidade, cabulavam aulas para tomar muitos cafés e darem muitos beijos. Jorge gastava todo seu mixo salário de estagiário em motéis e pousadas de praia só pelo prazer de vê-la circular pelo quarto vestindo uma camiseta sua e calcinha branca de algodão, sempre sem sutiã. Ainda estavam muito apaixonados, seis meses depois, quando Jorge decidiu viajar com mochila nas costas pela Europa. Foi um baque para Sônia, mesmo ela, que pregava a importância da liberdade. Ele passou seis meses longe de Sônia, sentindo a falta dela todos os dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retomar o namoro com Sônia não foi tão simples quanto sua experiência com Aninha, anos antes. A jovem já estava saindo com outros rapazes quando ele voltou de seu período sabático. Ele até tentou sua tática de enroscar o dedo mindinho no dela, aproximar seus lábios até uma distância quase insuportável, convidá-la para uma tarde de vadiagem num muquifo perto da universidade. Ela até aceitou. Mas deixou claro que estavam apenas ficando. Jorge ficava devastado ao imaginá-la com outros. E Sônia fez questão de manter o relacionamento assim, aberto, por cerca de um mês, para miséria do rapaz. Depois, como era de se esperar de uma mulher apaixonada, cedeu à exigência de exclusividade de Jorge, que alegava já ter sofrido demais. Namoraram firme por mais seis meses. A briga final aconteceu devido a divergências de personalidade, ideologias e expectativas. Em outras palavras, havia acabado a paixão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jorge desistiu de apaixonar-se de novo depois do rompimento com Sônia. Durante os onze anos seguintes caiu na gandaia com os amigos, na primeira fase, e depois mergulhou no trabalho, sempre intercalando seus afazeres com algumas amantes. Mas nada de amor. Até chegou a namorar algumas mulheres, mas só em períodos de carência e por conveniência. Tinha até concluído que aquela história do coração acelerar, faltar fala e sonhar acordado era coisa de jovem. Para ele tinha sido mesmo, até que, aos 30 anos, topou com Renata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá estava ele na livraria fazendo hora antes de um almoço com os amigos. Era sábado. A loja estava cheia, principalmente em torno das gôndolas dos best-sellers. Jorge, vestindo seu visual recorrente de final de semana - calça cáqui, camisa polo de cor pastel e tênis -, foi direto ao fundo da loja. Não estava procurando nenhum livro em especial, apenas o sossego das prateleiras menos visitadas. Foi quando, ao paquerar um dicionário de símbolos da mitologia grega, tropeçou em Renata, que estava há meia hora sentada no chão folheando um livro de decoração. A cena toda foi hilária. Jorge caiu de joelhos, mas não antes de acertá-los na testa de Renata. No segundo seguinte, só via-se Jorge desculpando-se, ainda meio sem saber se colocava o dicionário de volta à prateleira ou ajudava-a a se levantar. Renata, contundida e descabelada, ainda tentava se decidir se ria ou ficava brava com Jorge. Os dois riram. Se houvesse mais pessoas em volta, certamente teriam gargalhado também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você está bem? Ai meu deus, desculpa. Sou meio estabanado mesmo.&lt;br /&gt;Tudo bem, acontece. Quer dizer, na verdade, nunca tinha visto isso acontecer. Mas ok, eu também não devia ter ficado sentada ali, um desastre esperando para acontecer. Mas é que vi um livro que estava procurando e…&lt;br /&gt;Bom, deixe-me pelo menos lhe pagar um café.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jorge não pôde deixar de reparar na beleza de Renata. Na verdade, talvez nunca tivesse prestado atenção nela em outras circunstâncias. Mas ali, ela toda despenteada e falante, pareceu para Jorge incrivelmente atraente. Parte do encantamento que sentiu deveu-se, ele pensou nos momentos seguintes, à reciprocidade dos sentimentos. Era óbvio que ela também havia ficado interessada. Que outra razão levaria uma mulher que até há pouco estava bastante entretida com seus botões a desandar a falar daquela maneira? Ele podia quase ouvi-la reprimindo-se em pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;*** Também continua em alguns dias&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168325236799444146-4579238290493319694?l=literaturademochila.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturademochila.blogspot.com/feeds/4579238290493319694/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168325236799444146&amp;postID=4579238290493319694' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168325236799444146/posts/default/4579238290493319694'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168325236799444146/posts/default/4579238290493319694'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturademochila.blogspot.com/2007/08/histria-de-jorge-parte-ii.html' title='A história de Jorge - parte II'/><author><name>Isabel Malzoni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15263551706489734962</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168325236799444146.post-5409078510996652106</id><published>2007-08-17T16:03:00.000-03:00</published><updated>2007-08-17T16:05:20.200-03:00</updated><title type='text'>A história de Jorge – parte I</title><content type='html'>Jorge tinha 15 anos no verão de 2001. Como a maioria dos jovens típicos da classe média de São Paulo, esfalfava-se para terminar o ano escolar nessa época. As matérias que ainda lhe estavam pendentes para concluir o primeiro ano do colegial eram gramática e literatura. De matemática e física, ele tinha boas notas, sempre gostou. Por sorte, era um rapaz popular, o que lhe possibilitava equilibrar as tardes de estudo para as provas finais com tardes de vadiagem e skate com os amigos. Sem falar nas idas ao cinema com a Aninha. Ah, a Aninha. Estava absolutamente apaixonado por ela, sua namorada havia três meses. Uma menina diferente de todas as outras, loira, magra, mas nem tanto, de mãos pequenas e delicadas com as quais lhe escrevia bilhetinhos de amor inquietantes. Ou seriam animadores, já que prometiam beijos e, esses sim, eram inquietantes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Além da expectativa de amassos cada vez mais quentes com Aninha, o que também distraía Jorge de seus afazeres escolares eram as conversas de seu irmão mais velho. Rubens tinha 21 anos nessa época. Estudava filosofia na USP, usava um all-star surrado, tinha tatuagem de uma frase em latim no braço direito. A diferença de idade fazia entre eles com que Jorge sentisse uma indiscriminada adoração pelo irmão. Especialmente porque o apartamento em que moravam com os pais, num condomínio de três prédios e 170 moradias próximo à Avenida Paulista, vivia sempre cheio de jovens engajados por causa de Rubens. Quando o amigos vinham visitar, o irmão de Jorge esbaldava-se ditando teorias sobre o caos do universo, sobre o proletariado brasileiro, sobre jazz e mulheres. Jorge ouvia a tudo de seu quarto, através da parede fina, deitado na cama fingindo estudar. E dava tanta atenção aos monólogos do irmão porque ele era a pessoa que Jorge conhecia que mais entendia de todos esses assuntos, e alguns outros. Mesmo quando a afirmação lhe parecia estapafúrdia, respeitava, já que era tão bem dita. Algumas vezes anotava algumas de suas frases categóricas para repetir entre os seus amigos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lá estava Jorge relendo o resumo de Primo Basílio para a prova do dia seguinte. Ele tinha pouquíssima paciência para literatura, mas sabia que dependia do seu sucesso na avaliação o destino de suas férias. Não haveria como convencer sua mãe de que merecia ir para a casa de praia do Paulinho com a turma se não passasse de ano. Aninha estaria lá. Ele  esforçava-se bastante para deter sua concentração no livro, mas, vez ou outra, não conseguia evitar que a conversa do irmão no quarto ao lado o dispersasse. E Rubens estava especialmente melancólico naquele dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“O Brasil está fadado a ir pelo buraco”? Não, tenho que focar na história de Luisa. “A música eletrônica na verdade é uma expressão do individualismo exacerbado da nossa sociedade”? Bom, quase tão interessante é que o tal primo está xavecando Luisa, uma mulher casada. “Você viu aquela pesquisa que lançaram essa semana. Só confirma o que eu já falava sobre essa história furada de paixão…” Como é? Que pesquisa é essa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jorge correu para sua agenda, olhou o calendário, fez umas contas. Sentiu-se terrivelmente desanimado. Era como se tivesse levado um balde de água fria na cabeça. Bom, na verdade sentia a iminência do indesejável banho gelado. Não pode ser, não pode ser. Sua cabeça de matemático relutava fazendo cálculos e estratagemas. Restou para os estudos a madrugada, que virou dia enquanto Jorge batalhava contra Basílio. No dia seguinte, entornou um copo americano de café e fez a prova com esforço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi mal na prova, filho?&lt;br /&gt;Não, mãe, fica tranquila, passei de ano.&lt;br /&gt;Ah, que ótima notícia! Quer dizer que vai passar as férias na casa do Paulinho?&lt;br /&gt;Não, mãe, pensei bem e acho que vou para o acampamento.&lt;br /&gt;Acampamento, é? – um sorriso vitorioso, mas surpreso - Ué, mas você tinha dito que nem pensar, que tinha passado da idade… hum, mas que bom, ótima escolha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem sabia a mãe que não era caso de questionar demais. Ela estranhou a decisão, mas aprovou. Ficaria bem mais tranquila deixando o filho adolescente sob a supervisão de outros adultos. Apressou-se em acertar os detalhes da viagem. Jorge foi para o quarto e deitou na cama, calado. Estava decidido a fazer o que era necessário.&lt;br /&gt;Como assim você vai para o acampamento, Jorge? Isso significa um mês fora.&lt;br /&gt;Aninha, tenta entender, minha mãe mandou. Difícil convencer a velha, viu? Aliás, são dois meses…&lt;br /&gt;Dois meses!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jorge odiou cada minuto que passou no acampamento. As fogueiras, as histórias de terror, a animação dos instrutores, que lhe parecia sempre excessiva. Só pensava em Aninha. No entanto, prometeu a si mesmo que só mandaria e-mails em caso de saudade aguda. Foram cinco mensagens no total. Já Aninha praguejou contra Jorge durante toda as férias. Homens não prestam, ele deve estar com uma morena, não quero nunca mais vê-lo na frente, vou ficar com o Ricardinho e mais outras afirmações tipicamente femininas.&lt;br /&gt;Acabado o recesso escolar, Jorge, que estava louco para ver Aninha, e ela, que jurou nunca mais querer vê-lo, encontraram-se na escola. A garota lhe deu um gelo nos primeiros dias, embora tenha sorrido quando ele lhe ofereceu a flor que tinha trazido de lá. Resistiu à vontade de atender as insistentes ligações que ele lhe fazia. Lá para sexta-feira, acabou cedendo e aceitando o convite para ir ao cinema. Ela bem disse a si mesma que não, mas Jorge chegou pertinho, enroscou o dedo mindinho no dela e aproximou seus lábios, quase encostando-os nos lábios dela. Pronto, crise solucionada. Seguiram namorando, cada vez mais apaixonados. Férias de julho, Jorge não foi nem doido de ir para o acampamento. Aconteceu a tal viagem para a casa de praia do Paulinho. Fizeram juras de amor. Fizeram amor, de fato. Tinham encontrado suas caras-metades.&lt;br /&gt;Terminaram o namoro em setembro. É verdade, essa tal de paixão é uma farsa, dizia Jorge para seus amigos. Assim como o Brasil está fadado a não dar em nada e a música eletrônica é fruto de alguma coisa aí que acontecesse na sociedade. Determinou como certo que não namoraria nunca mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;*** Continua em alguns dias&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168325236799444146-5409078510996652106?l=literaturademochila.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturademochila.blogspot.com/feeds/5409078510996652106/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168325236799444146&amp;postID=5409078510996652106' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168325236799444146/posts/default/5409078510996652106'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168325236799444146/posts/default/5409078510996652106'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturademochila.blogspot.com/2007/08/histria-de-jorge-parte-i.html' title='A história de Jorge – parte I'/><author><name>Isabel Malzoni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15263551706489734962</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168325236799444146.post-3903655828807279437</id><published>2007-08-08T15:04:00.000-03:00</published><updated>2007-08-08T17:06:57.955-03:00</updated><title type='text'>O que realmente aconteceu com Patinho Feio</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_fan4q2F9Iak/RroS_HCS5JI/AAAAAAAAABQ/fwGGrakVVbA/s1600-h/Curitiba+23-05-07+(31).jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5096406803752871058" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_fan4q2F9Iak/RroS_HCS5JI/AAAAAAAAABQ/fwGGrakVVbA/s400/Curitiba+23-05-07+(31).jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Lá estava o Patinho Feio mais uma vez nadando em fila com sua família pelo lago. Todo santo dia eles cumpriam essa mesma rotina, desde que Patinho se conhecia por pato. Mas naquele dia em particular Patinho parecia mais desanimado que de costume, tanto que seu irmão mais velho, o Bonitinho, percebeu. É que na noite anterior, explicou Patinho Feio, ele havia tentado conversar com a mãe sobre sua existência.&lt;br /&gt;– Mas também, para quê questionar isso, que coisa boba. Existe-se e pronto – disse Bonitinho, claramente tentando evitar a conversa.&lt;br /&gt;– Ora, Bonitinho, cá entre nós, difícil não pensar sobre quem se é, especialmente quando se vive num lago, que mais parece espelho, e ele vive lhe apontando que você é diferente. Você percebe que eu sou diferente, não?&lt;br /&gt;– Ah, lá vem você com essas besteiras…&lt;br /&gt;– Não é besteira, Bonitinho. Veja bem. Se acontecesse de sermos amigos, mas você americano e eu latino, seria tudo bem? E se, sendo nós do mesmo sexo, gostássemos de sexos diferentes? Ou ainda, e se vivêssemos no mesmo país, mas acreditássemos em religiões diferentes? Isso pode ser… Então por que não aceitarmos que somos da mesma família, convivemos no mesmo lago, mas que você é pato e eu, cisne? A gente pode se deixar ser, não é?&lt;br /&gt;– Não! Não pode, não pode, não pode – Bonitinho, pra enfatizar, bateu as patas na água no ritmo das palavras, com bastante força, o que o fez nadar para longe de Patinho Feio. Ele foi atrás.&lt;br /&gt;– Bonitinho, tente ver isso tudo por um outro aspecto. Se pudermos falar abertamente sobre nossas diferenças e ficar explicitado que você é pato e eu sou cisne…&lt;br /&gt;– Ah!&lt;br /&gt;– Se ficar explicitado que somos diferentes, vai ficar para você o lugar de destaque dessa família, Bonito. Isso mesmo, você vai finalmente ser reconhecido como o Patinho mais Bonito do lago. Porque por enquanto, cá entre nós, eu roubo todas as atenções sendo diferente. Só temos a ganhar. Você fica sendo o pato mais bonito e eu, quem sabe, um cisne interessante.&lt;br /&gt;– …&lt;br /&gt;– Pára de cobrir as orelhas com as asas, meu irmão. Está bem, já entendi que você não gosta de falar sobre diferenças. Então vejamos por outro lado. A verdade é que somos iguais. Exatamente iguais. Não importa o que digam, somos duas aves que vivem no lago… Mesmo sendo eu um cisne e você um pato!&lt;br /&gt;– Ahhhhh! – Bonitinho gritou atordoado, querendo acabar de vez com a discussão. Sua atitude paralisou Patinho Feio. Aproveitando o susto que tinha dado, passou a acertá-lo algumas vezes com as asas a fim de colocá-lo de volta no rumo certo da fila familiar. Fez-se um silêncio.&lt;br /&gt;– Bonitinho… Você sabe que um dia eu vou ter de nadar para o outro lado em busca do lugar a qual pertenço, talvez encontrar uma ave semelhante a mim e começar uma família, não é? E isso não quer dizer que gostarei menos de você.&lt;br /&gt;– Quac.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;* A foto foi tirada em Curitiba em 23/05/07, bem antes do conto existir.&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168325236799444146-3903655828807279437?l=literaturademochila.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturademochila.blogspot.com/feeds/3903655828807279437/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168325236799444146&amp;postID=3903655828807279437' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168325236799444146/posts/default/3903655828807279437'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168325236799444146/posts/default/3903655828807279437'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturademochila.blogspot.com/2007/08/o-que-realmente-aconteceu-com-patinho.html' title='O que realmente aconteceu com Patinho Feio'/><author><name>Isabel Malzoni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15263551706489734962</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_fan4q2F9Iak/RroS_HCS5JI/AAAAAAAAABQ/fwGGrakVVbA/s72-c/Curitiba+23-05-07+(31).jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168325236799444146.post-4844992151799024808</id><published>2007-08-01T00:52:00.001-03:00</published><updated>2007-08-01T00:54:32.986-03:00</updated><title type='text'>Um pouquinho de viagem II</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_fan4q2F9Iak/RrAD7HCS5GI/AAAAAAAAAA4/lqJb7JsfMMU/s1600-h/olhar+comp.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5093575492591871074" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_fan4q2F9Iak/RrAD7HCS5GI/AAAAAAAAAA4/lqJb7JsfMMU/s400/olhar+comp.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Dois olhares observam atentamente a turista na Lapa.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168325236799444146-4844992151799024808?l=literaturademochila.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturademochila.blogspot.com/feeds/4844992151799024808/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168325236799444146&amp;postID=4844992151799024808' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168325236799444146/posts/default/4844992151799024808'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168325236799444146/posts/default/4844992151799024808'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturademochila.blogspot.com/2007/08/um-pouquinho-de-viagem-ii.html' title='Um pouquinho de viagem II'/><author><name>Isabel Malzoni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15263551706489734962</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_fan4q2F9Iak/RrAD7HCS5GI/AAAAAAAAAA4/lqJb7JsfMMU/s72-c/olhar+comp.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168325236799444146.post-59272045346615002</id><published>2007-08-01T00:40:00.001-03:00</published><updated>2007-08-01T00:52:16.893-03:00</updated><title type='text'>Um pouquinho de viagem</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_fan4q2F9Iak/RrABH3CS5EI/AAAAAAAAAAo/tpjuW3hy92E/s1600-h/comp.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5093572413100319810" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_fan4q2F9Iak/RrABH3CS5EI/AAAAAAAAAAo/tpjuW3hy92E/s400/comp.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Já que o que está faltando por aqui é viagem, uma foto da tranquilidade de Lapa, cidadezinha do interior do Paraná cuja reportagem deve ser postada logo, logo. Adianto a foto só pra dar aquela disfarçada no drama do post anterior.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168325236799444146-59272045346615002?l=literaturademochila.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturademochila.blogspot.com/feeds/59272045346615002/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168325236799444146&amp;postID=59272045346615002' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168325236799444146/posts/default/59272045346615002'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168325236799444146/posts/default/59272045346615002'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturademochila.blogspot.com/2007/08/um-pouquinho-de-viagem.html' title='Um pouquinho de viagem'/><author><name>Isabel Malzoni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15263551706489734962</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_fan4q2F9Iak/RrABH3CS5EI/AAAAAAAAAAo/tpjuW3hy92E/s72-c/comp.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168325236799444146.post-5566867287553309936</id><published>2007-07-31T00:49:00.000-03:00</published><updated>2007-07-31T01:01:17.273-03:00</updated><title type='text'>Entre Amigos</title><content type='html'>Lá estavam os três, de madrugada, com o carro encalhado em um caminho perdido na serra com vista pro mar. Quando perceberam que haviam virado à direita onde na verdade deveriam ter seguido em frente, viram-se tendo um ataque de riso. É o que amigos inseparáveis fazem quando entram em uma fria, porque desconfiam que será apenas mais uma história para contar. E esses três, desde que se conheceram, tornaram-se inseparáveis. Continuaram rindo mesmo enquanto avaliavam as primeiras consequências daquele engano. Alguém chegou a perguntar de quem havia sido a maldita idéia de tentar ir por ali, mas não obteve resposta. Não vinha ao caso. O que importava era que o céu estava estupidamente estrelado e a lua refletia no mar, a cena toda emoldurada por árvores altíssimas. Importava também que de um lado da estrada tinha uma mata bem preservada, de onde poderia sair qualquer tipo de bicho assustador, e do outro, um precipício, igualmente ou mais assustador. O caminho, que algum dia já havia sido uma estradinha, mas que já não pode mais ser chamado assim, era de lama e mato. Já não seria possível dar ré, então resolveram seguir em frente até encontrarem um ponto onde poderiam dar a volta. Enquanto prosseguiam na descida, o carro, um Astra prateado, deslizava por conta própria e ameaçava-se perto do precipício. Fabiano, o mais velho e único homem do trio de amigos, desceu do carro e foi dando as direções. Estavam todos muito cansados da viagem, que já durava mais de quatro horas, e da semana de trabalho. Raquel, que dirigia, já não ria mais. Emília sugeriu que parassem por ali e esperassem o dia amanhecer. Imagina, só mais um pouco, ali embaixo já dá para virar. Será? Só mais um pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegaram ao ponto onde a descida abrandava e a mata cedia um pouco para que manobrassem. Fabiano assumiu a direção do carro como qualquer rapaz faria numa situação dessa, cercado de garotas. É suposto que homens saibam fazer esse tipo de coisa melhor que mulheres. Raquel aproveitou para esconder-se atrás do carro e fazer o xixi que estava segurando desde à estrada de asfalto. Emília cruzou os braços ao observar o cenário. Gestual típico dela, que nunca quer pesar o clima, mesmo quando preocupada. As garotas saíram correndo na frente para que Fabiano as iluminasse com os faróis durante a subida. Tática errada. Elas não foram tão rápidas quanto esperavam, forçando Fabiano a diminuir a velocidade, o que, dados o mato e a lama, significou o primeiro encalhamento. Fabiano teve de descer tudo que tinha conseguido subir para tentar novamente e dessa vez, as meninas resolveram ficar atrás do carro. Lá foi ele mais uma vez. O carro até conseguiu força no começo, mas essa foi esvaindo-se antes do que na primeira tentativa. Precisava ir mais rápido, concluiu. Emília pediu novamente que parasse porque seria mais prudente esperar amanhecer e depois tomar providências. Raquel absteve-se. Fabiano recuou novamente e depois acelerou o carro ao máximo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai, queria ter insistido para ele parar, pensou Raquel ao ver o carro deslizando muito próximo do precipício. Durante os segundos em que aquela manobra durou, pensou na tragédia que seria se Fabiano perdesse o controle do carro e caísse lá embaixo. É engraçado, neste caso trágico, como a vida pode mudar de repente. Percebeu, por seus músculos contraídos, batimentos cardíacos acelerados e boca entreaberta, que por mais lugar comum que tivesse sido seu pensamento anterior, aquela bem parecia uma cena pré-tragédia. Os três amigos cansados, mas animados com a iminência de um fim-de-semana juntos na praia, relaxando os limites da prudência em nome de chegar mais cedo ao destino. Gritou, primeiro para si mesma, depois em voz alta. Pára, Fá, pára. Chega de tentar, vai, não vale a pena. Não vale a pena arriscar você. Fá!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fabiano parou. Na verdade, o carro parou quando um dos deslizes levou sua frente a chocar-se diretamente com uma árvore. As garotas correram atrás. Meu, que tensão. Abraçaram o rapaz. Ele subestimou as razões para todo aquele nervosismo. Imagina, estava tudo sob controle. Ah sim, claro que estava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas fato é que de repente ficarem atolados ali não parecia tão ruim. A vista era linda, eles tinham um cobertor para aplacar o frio, faltava só duas horas para amanhecer. Voltaram a rir. Está quase clareando, repetia alguém sempre percebia um deles quase pegando no sono. O outro respondia, irritado, mas nem tanto, que não fazia nem sete minutos que tinha sido dita essa mesma frase. Riam. Era uma piada boba, mas servia de função fática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que de fato amanheceu. Já não gargalhavam com frequência e entusiasmo, vencidos pelo cansaço, apenas algumas risadas casuais para mostrar que o bom humor não tinha sumido por completo. Ligaram para a mãe de Raquel, que mandou o marido em missão de resgate. Quer apostar que ele tira esse carro daqui rapidinho? Imagina, impossível! Eu aposto.&lt;br /&gt;Sim, o socorro foi rápido. Após mais ou menos uma hora já chegavam à casa, parte envergonhados, parte achando tudo muito engraçado. E dali o final de semana correu como esperado: divertido. Em vez de dormir, correram para a praia após tomar o café-da-manhã preparado pela mãe. Raquel não queria entrar na água, sentia frio e sono. Emília e Fabiano insistiram até vencê-la. E não é que foi gostoso pular no mar? Pareciam mais novos do que eram de fato, com aquelas brincadeiras bobas de dar caldo, apostar corrida, tirar sarro da barriga do outro. Fabiano, aos 32 anos, soltava gargalhadas quase infantis que acabavam por fazer todo mundo rir, sempre. Estavam os três boiando quando Raquel sentiu uma pontada aguda no peito. Na verdade, já vinha sentindo um aperto, mas só de leve, como se fosse uma sombra de sensação. Era angústia. Por mais que soubesse que agora estavam seguros, ainda não estava tranquila. Algo tinha mudado. Tentou acalmar-se olhando os dois amigos à distância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda sem dormir, almoçaram um peixe pescado nas cercanias, tomaram café, banho e vestiram-se para passear na cidade. Fabiano misturou sua jaqueta de roqueiro com uma calça de moletom que parecia dizer “descanso”. Emília botou um de seus vestidos bem femininos, que a faz parecer ainda mais jovem do que seus 27 anos. Raquel, como sempre, usava calça jeans, moletom e tênis. E lá estavam eles no caminho de terra novamente. Vai, Quel, duvido! Entra no atalho de novo. Agora a gente consegue sair. Certeza! Emília ria muito, Raquel riu também. Esse menino não cresce. O episódio ficava para trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na cidade, tomaram muitas caipirinhas, comeram lula à dorê, bisbilhotaram as bijuterias dos hippies e fecharam a noite dançando forró na festa da igreja. Raquel dançou com Emília, que depois dançou com Fabiano, deixando espaço para um senhor convidar Raquel para arriscar us passos com ele. Os três dançaram abraçados, separados e observaram todo tipo de casal que embolava-se ao som nordestino. Raquel puxou Fabiano para perto corriqueiramente. Todos sorriam, como de costume. Foi quando a a angústia voltou-lhe ao peito. Olhou para o amigo, abraçou-o forte, deu quatro beijos na mesma bochecha e colocou sua mão sobre seus cachinhos, puxando a cabeça dele para seu ombro. Ele normalmente teria tirado sarro desse súbito acesso de carinho, mas dessa vez simplesmente aceitou o abraço que quase o sufocava. A alegria provocada pelo álcool foi sumindo dela aos poucos. Sentiu uma lágrima marear seus olhos. Queria muito que a angústia passasse. Queria muito sentir-se tranquila de novo. Não queria soltá-lo mais. Porquê sentia-se assim? Porquê parecia que algo estava tão errado assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Raquel foi acordada por sua mãe, já em casa. Na verdade, foi levada a levantar, porque parecia que já estava desperta há horas, olhando o teto em branco. Do cenário anterior só restava o tal do aperto no peito. A mãe falava manso enquanto abria a persiana. Emília ligou, queria saber de você, mas eu não quis lhe acordar porque coloquei um remedinho no seu leite ontem. Você estava custando muito a dormir… Raquel fechou os olhos evitando a luminosidade, mas parecia ainda encarar o teto. A mãe sentou-se perto dela, pegou em sua mão. Já separei sua roupa. Está na hora, filha. Se não quiser ir, eu entendo. Mas ainda acho que seria melhor para você. Raquel sentiu medo de se mexer ou falar. Bom, vou deixar que se apronte sozinha. Raquel sentou-se na cama. Ao seu lado, uma calça social e blazer pretos, camisa azul clara, sapatos formais. Fixou seus olhos na parede à sua frente e cerrou o maxilar, como que para impedir uma lágrima de cair.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168325236799444146-5566867287553309936?l=literaturademochila.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturademochila.blogspot.com/feeds/5566867287553309936/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168325236799444146&amp;postID=5566867287553309936' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168325236799444146/posts/default/5566867287553309936'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168325236799444146/posts/default/5566867287553309936'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturademochila.blogspot.com/2007/07/entre-amigos.html' title='Entre Amigos'/><author><name>Isabel Malzoni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15263551706489734962</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168325236799444146.post-8856911682711955119</id><published>2007-07-28T18:51:00.000-03:00</published><updated>2007-07-29T19:17:44.803-03:00</updated><title type='text'>Besteira Fabulosa sobre Flores</title><content type='html'>Era uma vez um Girassol que vivia no jardim do castelo, cercado de outros girassóis. Parecia ser uma flor como qualquer outra de sua espécie, mas não. Enquanto todos os outros curvavam-se ao leste para ver o sol nascer, e depois ao oeste, para vê-lo se pôr, o Girassol movia-se como bem entendia. Era isso que o diferenciava.&lt;br /&gt;Mas nem sempre foi assim. Girassol, quando pequeno, seguia a rotina de todo o canteiro, mirando de leste a oeste, fizesse chuva ou sol, por hábito. Até o dia em que, no meio do caminho, avistou uma rosa. A Rosa, por assim dizer. Embora fosse pequena, destacava-se por sua delicadeza. Linda, simplesmente. Vivia coberta por uma redoma, Girassol nunca soube se devido à sua fragilidade ou por ser bastante estimada pelos habitantes do castelo. Fato é que, desde que a viu, nunca mais conseguiu seguir a ordem imposta pelo sol. Perdia-se hipnotizado pela beleza de Rosa.&lt;br /&gt;Quando Girassol passou a rebelar-se contra a rotina dos outros, disseram que não havia de ser nada, uma atitude juvenil. Conforme o fato repetia-se, os outros girassóis preocuparam-se. Alertavam Girassol sobre os riscos que estava correndo, embora nem bem soubessem quais eram.Girassol não tinha escolha. Permanecia hipnotizado por Rosa, o que às vezes fazia com que mirasse na direção exatamente oposta à dos outros. Uma cena engraçada de ver.&lt;br /&gt;Até que um dia, o Jardineiro, zeloso por sua obra, achou que era por bem consertar tal falha. Ao verem ele se aproximar com uma tesoura de ferro enorme, com pontas de plástico vermelho, os girassóis apressaram o movimento que os levaria a olhar para o outro lado. Girassol ficou com medo. Pensou em disfarçar-se imitando os outros. Pensou que, se falasse a língua do jardineiro, poderia implorar-lhe misericórdia. Não o fez e depois ficou contente por isso.&lt;br /&gt;O que se sucedeu foi rápido. O Jardineiro cortou Girassol pelo talo e colocou-o em um vaso de vidro cheio d´água, ambientado por folhagens que ele nunca tinha visto. Assustado, Girassol sentiu em cada uma de suas artérias que estava perto do fim. Teria no máximo sete dias de vida e sabia. Ai, meudeus, será que deveria ter repensado suas atitudes? Teria sido mais prudente seguir os conselhos dos outros girassóis, com certeza….&lt;br /&gt;Girassol olhou à sua volta e percebeu que ele não era a única flor que agora estava em vaso de vidro. Havia dezenas delas, de várias espécies. O Jardineiro, que gastou alguns minutos admirando seu trabalho, passou então para a tarefa de distribuir os tais vasos de flores pela lateral do caminho de pedra que daria no palácio. Um após outro, com um metro de distância entre eles. O vaso de Girassol, por sorte, acabou sendo acomodado pertinho da Rosa. O mais perto que Girassol chegaria dela. Ele sorriu. Ela também.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168325236799444146-8856911682711955119?l=literaturademochila.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturademochila.blogspot.com/feeds/8856911682711955119/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168325236799444146&amp;postID=8856911682711955119' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168325236799444146/posts/default/8856911682711955119'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168325236799444146/posts/default/8856911682711955119'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturademochila.blogspot.com/2007/07/besteira-fabulosa-sobre-flores.html' title='Besteira Fabulosa sobre Flores'/><author><name>Isabel Malzoni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15263551706489734962</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168325236799444146.post-791845799770262554</id><published>2007-07-25T20:07:00.000-03:00</published><updated>2007-07-28T18:55:03.561-03:00</updated><title type='text'>O presente</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_fan4q2F9Iak/RqfcDXCS5DI/AAAAAAAAAAg/d9M03L7BAfw/s1600-h/veneza-schaal.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5091279854046995506" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_fan4q2F9Iak/RqfcDXCS5DI/AAAAAAAAAAg/d9M03L7BAfw/s400/veneza-schaal.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Essa foto eu ganhei de presente. Presente de viagem de quem ainda está viajando. Presente de amigo querido que significa Lembrei de você, Gosto de você ou Desejo que você ganhe o mundo de braços abertos. Nem precisava ser um cantinho de Veneza para transmitir tanta delicadeza e carinho. Mas é. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Poderia alongar-me aqui sobre como verei Veneza de outra maneira, sobre como fico feliz por ter lhe conhecido e como você é um amigo especial.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fico com um obrigada sorridente, tão delicado quanto o presente.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Obrigada, mesmo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168325236799444146-791845799770262554?l=literaturademochila.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturademochila.blogspot.com/feeds/791845799770262554/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168325236799444146&amp;postID=791845799770262554' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168325236799444146/posts/default/791845799770262554'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168325236799444146/posts/default/791845799770262554'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturademochila.blogspot.com/2007/07/o-presente.html' title='O presente'/><author><name>Isabel Malzoni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15263551706489734962</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_fan4q2F9Iak/RqfcDXCS5DI/AAAAAAAAAAg/d9M03L7BAfw/s72-c/veneza-schaal.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168325236799444146.post-8086799987240212632</id><published>2007-07-25T16:30:00.000-03:00</published><updated>2007-07-25T16:31:50.505-03:00</updated><title type='text'>Um amor para Arnaldo</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_fan4q2F9Iak/RqelE3CS5CI/AAAAAAAAAAY/NWpKuvuvA0U/s1600-h/arnaldo[1].jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5091219406677271586" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; CURSOR: hand" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_fan4q2F9Iak/RqelE3CS5CI/AAAAAAAAAAY/NWpKuvuvA0U/s320/arnaldo%5B1%5D.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Aos 33 anos de idade, Arnaldo parou para pensar sobre quem haveria de amá-lo nessa vida. Pegou-se pensando no assunto pela primeira vez ao amarrar seus sapatos pretos, sempre pretos, rumo ao jantar semanal com a mãe e a irmã. Elas já haviam se questionado a mesma coisa diversas vezes, sozinhas e entre si, sem nunca comentar com Arnaldo. Quem haveria de amá-lo?&lt;br /&gt;Ele não é exatamente um homem feio. Sempre foi muito mais alto que a média, mede quase dois metros agora que adulto. Uma altura desengonçada, mas que não faz dele suficientemente alto para apresentar-se como aberração no circo, seu sonho de criança. Arnaldo, além de alto, é bicolor. Cabelos e bigode negros, pele clara como leite. Para acompanhar tal contraste, usa apenas camisas brancas e calças pretas, sempre. O que compensa sua aparência austera é o sorriso. Não uma risada atraente ou bonita, mas suficientemente engraçada para render-lhe a simpatia de crianças, do açougueiro que trabalha na esquina de sua rua, da dona da padaria. Ao cumprimentar alguém, sorri. E formam-lhe nas maçãs do rosto duas covinhas estranhas e os olhos fecham-se demais. Quem não o conhece pode pensar que tem jeito de doido, mas os conhecidos sabem que, se é, é manso.&lt;br /&gt;Para viver, Arnaldo pinta faixas, daquelas que anunciam desde liquidações a paixões adolescentes. É a esta razão, a profissão dele, que a mãe atribui a escassez de namoros do filho. Ele nunca seria rico o suficiente para atrair uma moça de boa família. Nem teria a estabilidade de um contador, profissão do falecido marido. Pior ainda: por ser simples demais e gastar de menos, também nem é exatamente pobre, característica que poderia vir a interessar uma viúva rica ou uma moça bondosa, vai saber. Estava fadado a ser um cara comum e solteiro, de acordo com a mãe.&lt;br /&gt;A irmã discordava disso tudo. Pensava serem ultrapassados os pensamentos da mãe em relação ao dinheiro. O problema dele, na verdade, é a falta de vaidade. Aonde já se viu ter um armário inteiro de camisas e cuecas brancas, calças e meias pretas e apenas um par de sapatos pretos. Ela mesma havia se casado com um cara nem rico nem pobre, mas que não dispensava um suéter bem colorido, de preferência tye-dye. Quem dera ele vestisse um dos muitos casacos de cor que ela lhe presenteara nos últimos dez natais. Ele desencalharia na certa!&lt;br /&gt;Arnaldo odiou cada um dos casacos que sua irmã lhe dera, assim como rejeitou a profissão do pai. Ele gosta de pintar faixas, se esmeira na caligrafia e trabalha o espacamento entre as letras com afinco. E, mal sabe a irmã, é vaidoso sim. Há um quê de praticidade na escolha de suas roupas, é verdade, mas, acima de tudo, veste preto e branco porque acredita ser a combinação que melhor lhe cai. Tem mais: tanto é vaidoso que até possui um perfil seu predileto. Só tira fotos do lado esquerdo, ainda que seja uma 3x4 – bom, de fato, além dos retratos de natal, Arnaldo só apareceu em fotos de documento até hoje –, o que é uma dificuldade para os fotógrafos de instantâneas entenderem, mas eles, depois de depararem-se com o sorriso estranho de Arnaldo, acabam achando inútil argumentar.&lt;br /&gt;Enfim, voltando ao dia em questão, quando Arnaldo questionou-se sobre o amor pela primeira vez ao amarrar os sapatos negros, foi quando sua sorte começou a mudar. Ele saiu à rua e reparou, também pela primeira vez, na moça do caixa da pizzaria que fica a duas ruas de sua casa. À caminho do ponto de ônibus, percebeu que ela olhou para ele e segurou o olhar uma fração de segundos a mais. Pois é, ela já tinha reparado em Arnaldo cerca de um ano antes daquela troca de olhares. Havia ficado intrigada pelo ar misterioso dele, pela elegância de suas camisas brancas e sapatos impecavelmente engraxados. Depois, sentiu-se magoada pela falta de atenção por parte dele, justo ela, uma mulher bela e frequentemente desejada. Ainda oscilava entre o desejo de namorá-lo e a raiva pela rejeição quando ele finalmente a notou. Arnaldo não havia a rejeitado. Apenas entretia-se com as faixas de promoção da pizzaria, que eram trocadas toda semana, sempre que passava por ali. Naquele dia, ela, que aliás chama-se Eleonor, só sentiu desejo.&lt;br /&gt;Arnaldo voltou à pizzaria no dia seguinte e deu-se o luxo de uma jarra de vinho da casa e uma brotinho marguerita. Pediu o telefone de Eleonor sem sorrir – ele sabia do caráter engraçado de seu sorriso, não era bobo. Não é que ela aceitou o convite para um encontro ainda naquele final-de-semana? Arnaldo ficou mais contente do que imaginava. Agora era um verdadeiro participante do jogo do amor. Pensou até que queria casar-se e ter filhos com Eleonor. Tá certo que ele nunca havia pensado em casamento antes, mas, já que agora havia a possibilidade, porquê não?&lt;br /&gt;Arnaldo até comprou uma gravata para a ocasião. Uma gravata preta, mas que não deixa de ser uma gravata. Buscou-a na porta da pizzaria e levou-a a passear pela rua do comércio, onde exibiu muitas faixas de sua autoria. Nem sorriu ao passar pelo açougue e pela padaria, menos ainda para as crianças. A companhia de Eleonor lhe conferia um ar mais respeitoso, acho.&lt;br /&gt;Depois de muito andarem, Arnaldo achou que já estava ficando tarde. Eleonor perguntou se não podiam tomar um vinho na casa dele. Ele lembrou que já havia bebido naquela semana e que poderia ser exagero. Mas para as favas com todo aquele rigor, pensou, a ocasião merecia. Botou seu melhor disco de bolero na vitrola, abriu a garrafa de vinho guardada há anos para uma situação especial e dançou com Eleonor.&lt;br /&gt;Lá pelas tantas, Eleonor tirou o sobretudo que cobria o vestido vermelho e decotado que ela reservava para encontros. Abraçou Arnaldo e confessou que havia muito tempo esperava que ele a notasse. Falou mais e mais sobre como sempre quis saber o que havia por trás daquele mistério todo. E divagou sobre o mar, o pôr-do-sol e as coincidências do destino.&lt;br /&gt;Arnaldo adorou sentir-se desejado pela moça. Nunca tinha pensado que ao caminhar carrancudo pela rua da pizzaria poderia estar despertando o interesse de alguém, menos ainda de uma mulher tão bonita. No entanto, nunca mais ligou para Eleonor, nem apareceu para jantar na pizzaria, nem sequer elevou o olhar ao passar por lá. Não foi a cor ou o decote do vestido, se é o que pode-se vir a imaginar. Nem o fato de ela falar mais do que matraca, uma quantidade de ruídos a qual Arnaldo não estava acostumado. Eleonor usava muito perfume. “Nunca gostei de perfume”, explicou Arnaldo ao açougueiro, quando o quase amigo lhe questionou sobre o fugaz namoro que até mesmo o fez usar uma gravata. &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168325236799444146-8086799987240212632?l=literaturademochila.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturademochila.blogspot.com/feeds/8086799987240212632/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168325236799444146&amp;postID=8086799987240212632' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168325236799444146/posts/default/8086799987240212632'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168325236799444146/posts/default/8086799987240212632'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturademochila.blogspot.com/2007/07/um-amor-para-arnaldo.html' title='Um amor para Arnaldo'/><author><name>Isabel Malzoni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15263551706489734962</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_fan4q2F9Iak/RqelE3CS5CI/AAAAAAAAAAY/NWpKuvuvA0U/s72-c/arnaldo%5B1%5D.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168325236799444146.post-2727858747771111047</id><published>2007-07-25T13:54:00.000-03:00</published><updated>2007-07-25T14:07:07.510-03:00</updated><title type='text'>O Primeiro Post</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_fan4q2F9Iak/RqeC13CS5BI/AAAAAAAAAAQ/pJqgIVtaM6M/s1600-h/ponte.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5091181765583889426" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_fan4q2F9Iak/RqeC13CS5BI/AAAAAAAAAAQ/pJqgIVtaM6M/s400/ponte.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Essa foto é o primeiro post que queria para esse tímido blog. Primeiro, porque eu a tirei recentemente durante uma viagem-retiro pelo interior do Paraná. Segundo, porque é um caminho. E não é isso que uma pessoa que cria um blog com esse nome deve estar procurando?&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168325236799444146-2727858747771111047?l=literaturademochila.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturademochila.blogspot.com/feeds/2727858747771111047/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168325236799444146&amp;postID=2727858747771111047' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168325236799444146/posts/default/2727858747771111047'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168325236799444146/posts/default/2727858747771111047'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturademochila.blogspot.com/2007/07/o-primeiro-post.html' title='O Primeiro Post'/><author><name>Isabel Malzoni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15263551706489734962</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_fan4q2F9Iak/RqeC13CS5BI/AAAAAAAAAAQ/pJqgIVtaM6M/s72-c/ponte.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6168325236799444146.post-9174079414540274256</id><published>2007-07-25T13:31:00.000-03:00</published><updated>2007-07-25T13:39:43.949-03:00</updated><title type='text'>Tímida Estréia</title><content type='html'>Adoraria dizer que há alguma razão incrível para a existência desse blog. Não há. Só a vontade de ter um lugar pra postar minhas fotos e textos de iniciante. A partir de setembro, é possível que hajam posts mais interessantes a serem encontrados aqui, já que estarei vagando por aí com uma mochila nas costas (por isso o nome do blog, sabe...).&lt;br /&gt;Por enquanto, o conteúdo restringe-se a alguns poucos contos que saem da minha cabeça e umas fotos de quem está se esforçando para aprender. Portanto, se você caiu aqui sem querer, desculpe! Essa é só uma experiência de uma jornalista que gosta mais do que não é noticiável e adora brincar de um monte de coisas que não é...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso.&lt;br /&gt;Bj&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6168325236799444146-9174079414540274256?l=literaturademochila.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://literaturademochila.blogspot.com/feeds/9174079414540274256/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=6168325236799444146&amp;postID=9174079414540274256' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168325236799444146/posts/default/9174079414540274256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6168325236799444146/posts/default/9174079414540274256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://literaturademochila.blogspot.com/2007/07/tmida-estria.html' title='Tímida Estréia'/><author><name>Isabel Malzoni</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15263551706489734962</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry></feed>
